📅 Publicado em 07/07/2026 · Revisão editorial: julho de 2026
“Quando minha irmã estava grávida do segundo filho, a dor no calcanhar apareceu por volta do sétimo mês e virou o assunto de quase todas as nossas conversas. Ela tinha medo de fazer qualquer coisa que pudesse afetar o bebê. Acompanhar a busca dela por alívios que fossem realmente seguros foi o que me motivou a organizar este material com muito cuidado.”
Por que acontece na gravidez
A gravidez cria uma verdadeira tempestade perfeita para a fáscia plantar. Três mudanças acontecem quase ao mesmo tempo e todas empurram na mesma direção:
Ganho de peso em poucos meses
O aumento de peso da gestação, concentrado em um período relativamente curto, eleva a carga sobre os pés a cada passo. Mais carga sobre a fáscia significa mais tração sobre o calcanhar.
Mudança no centro de gravidade
Com a barriga crescendo, o corpo se reorganiza para manter o equilíbrio, e a forma de pisar muda. Essa nova distribuição de peso pode sobrecarregar regiões do pé que antes não sofriam tanto.
Frouxidão dos ligamentos
Hormônios da gravidez, que preparam o corpo para o parto, deixam os ligamentos mais frouxos em todo o corpo — inclusive nos pés. Isso pode fazer o arco “ceder” um pouco e aumentar o estiramento da fáscia.
Quando costuma aparecer

A dor tende a surgir com mais força no segundo e terceiro trimestres, justamente quando o ganho de peso se acumula e as mudanças posturais ficam mais evidentes. É comum a gestante notar a clássica dor no calcanhar nos primeiros passos da manhã ou depois de passar tempo em pé. Como esse é um período em que a pessoa naturalmente evita medicamentos, a frustração de “não poder tomar nada” costuma ser grande — e é exatamente por isso que as medidas físicas ganham protagonismo.
Formas de alívio seguras
Na gravidez, a regra de ouro é priorizar medidas físicas e confirmar cada uma com o obstetra antes de adotar. As opções que costumam ser consideradas seguras — sempre com validação profissional — incluem:
Alongamento suave
Alongar a panturrilha e a fáscia plantar de forma leve e sem dor ajuda a reduzir a tração sobre o calcanhar. Movimentos suaves, respeitando o conforto da gestante.
Calçado firme e palmilha
Trocar calçados totalmente planos ou sem estrutura por modelos firmes, com bom suporte de arco, e usar palmilha ajuda a distribuir a carga. Como o pé pode inchar e mudar de tamanho ao longo da gestação, vale reavaliar o calçado periodicamente.
Elevar os pés e fazer pausas
Evitar longos períodos em pé, sentar e elevar os pés várias vezes ao dia alivia tanto o desconforto da fáscia quanto o inchaço típico do período.
Compressas e automassagem leve
Compressas e uma automassagem suave na sola podem trazer alívio. A temperatura e a intensidade devem ser confortáveis, e vale confirmar com o obstetra a melhor abordagem no seu caso.
O que evitar durante a gestação

O ponto mais importante deste artigo: não se automedique durante a gravidez. Vários anti-inflamatórios comuns são contraindicados em determinadas fases da gestação e só podem ser usados sob prescrição do obstetra, se ele julgar necessário. Também é prudente evitar aumentos bruscos de atividade física, andar descalça em piso duro e improvisar tratamentos vistos na internet sem checar com quem acompanha a gravidez. Qualquer inchaço súbito e intenso, dor muito forte ou outros sintomas incomuns devem ser comunicados ao obstetra, porque nem toda dor ou inchaço no período tem a ver com a fascite.
E depois do parto?
A boa notícia é que, para muitas mulheres, a fascite que apareceu na gravidez melhora depois do parto, à medida que o peso diminui e o corpo volta às condições hormonais de antes. Isso não é garantia — algumas seguem com desconforto no pós-parto, especialmente com a rotina de carregar o bebê e passar tempo em pé —, mas os cuidados adotados durante a gestação ajudam a evitar que a dor se torne intensa ou crônica. Se a fascite persistir depois do parto, aí sim o leque de tratamentos se amplia, já fora das restrições da gravidez e com orientação profissional.
Um ponto que costuma pegar as mães de surpresa é justamente o pós-parto: mesmo com o peso da barriga já resolvido, a nova rotina impõe horas em pé embalando o bebê, muitas vezes descalça pela casa e com noites mal dormidas que reduzem a disposição para os autocuidados. Se a dor no calcanhar aparecer ou insistir nessa fase, valem os mesmos princípios — calçado firme dentro de casa, alongamento da panturrilha e pausas para sentar e elevar os pés sempre que possível. E, como agora as restrições de medicação da gravidez podem não se aplicar da mesma forma (sobretudo durante a amamentação, que tem suas próprias regras), qualquer remédio continua sendo assunto para o médico, não para a automedicação.
Perguntas frequentes
Por que a fascite plantar aparece na gravidez?
Pela combinação de ganho de peso relativamente rápido, mudança no centro de gravidade e alterações hormonais que deixam os ligamentos mais frouxos, o que muda a forma de pisar e sobrecarrega a fáscia plantar.
Posso tomar anti-inflamatório para fascite na gravidez?
Não por conta própria. Vários anti-inflamatórios são contraindicados em fases da gravidez. Qualquer medicamento durante a gestação precisa ser avaliado e prescrito pelo obstetra — nunca se automedique grávida.
Quais alívios são seguros durante a gestação?
Medidas físicas costumam ser as mais seguras: alongamento suave da panturrilha e da fáscia, calçado firme com bom suporte, palmilha, elevar os pés, compressas e evitar ficar muito tempo em pé. Ainda assim, confirme tudo com seu obstetra.
A fascite plantar melhora depois do parto?
Em muitos casos, sim. Com a redução do peso e a volta das condições hormonais ao normal, a tendência é de melhora após o parto. Mas os cuidados durante a gravidez ajudam a evitar que a dor fique intensa ou persistente.
O inchaço dos pés tem a ver com a fascite na gravidez?
São coisas diferentes, mas relacionadas ao mesmo período. O inchaço pode mudar o calçado ideal e aumentar o desconforto. Vale conversar com o obstetra, porque inchaço súbito e intenso também precisa ser avaliado por outros motivos.
1 Musculoskeletal pain and symptoms in pregnancy: a descriptive study (PubMed, 2018) | 2 FEBRASGO — Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia | 3 StatPearls — Plantar Fasciitis (NCBI Bookshelf, National Library of Medicine, 2023) | 4 Diagnosis and management of plantar fasciitis (Am Fam Physician / PubMed, 2014) | 5 Cleveland Clinic — Plantar Fasciitis | 6 Ministério da Saúde (gov.br/saude)
Última revisão editorial: julho de 2026. Conteúdo informativo — não substitui avaliação médica especializada.
Beatriz Lessa — Criadora de conteúdo sobre saúde e bem-estar dos pés, com foco em fascite plantar e dor no calcanhar. Acompanhou de perto a gestação da irmã, que enfrentou dor no calcanhar no fim da gravidez e buscou alívios seguros para o bebê. Pesquisa e reúne informações baseadas em fontes médicas e experiências reais para ajudar quem enfrenta essa dor no dia a dia. Todo o conteúdo clínico publicado aqui é baseado em fontes citadas — não substitui consulta com ortopedista ou fisioterapeuta.